Alguma vez na minha vida, naqueles momentos em que você esquece quem é e passa a ignorar os conselhos dos sábios, sussurraram em meus ouvidos que a tristeza pega apenas os fracos. Atormentado e escondido em minha própria alma ignorei o que um dia me falaram. Era o meu refúgio as minhas próprias lágrimas, era minha força minhas próprias mentiras.
Quem sabe as marcas das velhas cicatrizes me alertavam do perigo ali fora, recordavam-me da dor de uma lâmina fria ao cortar sua pele. Eu tinha medo do que poderia voltar a me acontecer, medo de que minhas façanhas fossem transformadas em velhas lendas para assustar crianças inocentes e que minhas lamúrias fossem retratadas como lágrimas de um herói louco.
Eu não queria ter que continuar a encostar-me nas paredes mofadas de um banheiro fétido que ecoavam meus soluços.
Mas o despertar da guerra estava para chegar, o que seria de mim o velho guerreiro? Eu não queria esperar o mundo desmoronar, não iria morrer como mais um humano débil, incapaz de enxergar a verdade do mundo em que vive pela santa ignorância.
Eu ia apanhar minha lâmina de sangue, eu ia cortar cabeças e dar jus ao meu nome. Mostrar o que é capaz um homem que cresceu entre a crueldade dos humanos. Eu ia lutar pelos meus ideias, fugir de meu esconderijo e tacar fogo na minha sanidade.